Duas lógicas, um mesmo objetivo
Preventiva e preditiva compartilham a mesma missão — evitar a falha funcional antes que ela pare a operação —, mas partem de premissas opostas. A preventiva age contra o relógio: troca ou revisa o item em intervalos fixos de tempo ou uso (horas, ciclos, quilômetros, quantidade produzida), assumindo que a probabilidade de falha cresce com o tempo. A preditiva age contra a evidência: monitora variáveis físicas (vibração, temperatura, análise de óleo, corrente) e só intervém quando há sinal real de degradação.
Confundir as duas custa caro. Preventiva demais imobiliza HH e sobressalentes trocando peças ainda saudáveis. Preditiva mal aplicada gera investimento em sensores para ativos que nem justificam o monitoramento. A boa escolha não é preferência — é decisão de risco e de física da falha.
Quando a preventiva é a resposta certa
A preventiva baseada no tempo brilha quando a falha tem relação clara com a idade ou o uso — o clássico padrão de desgaste da curva da banheira. Se você consegue prever razoavelmente quando o componente vai se degradar, faz sentido programar a troca antes disso.
Use preventiva quando:
- O modo de falha é dependente do tempo/uso (desgaste de rolamento por horas de operação, correias, filtros, lubrificação).
- Existe uma vida útil conhecida (curva de Weibull com β > 1, vida B10 definida).
- O item é barato de substituir e a troca programada sai mais em conta que o monitoramento.
- Há exigência legal ou normativa de revisão periódica (vasos de pressão, segurança).
No SIGMA, a preventiva por tempo é gerada automaticamente. Você define no cadastro a área executante, o tipo de OS, a família, a periodicidade (Periódica ou por Disparos — horas, ciclos, quilômetros), as etapas e as peças — lembrando que ao menos uma etapa precisa ter tempo de execução informado. Criar a preventiva por família e depois usar o REPLICAR PROGRAMAÇÃO espalha o plano para todas as máquinas, TAGs e equipamentos daquele grupo. Dica prática: edite as datas de execução das réplicas para não sobrecarregar a equipe numa mesma semana.
Quando migrar para a preditiva
A preditiva é a escolha certa quando a falha não obedece ao calendário — a maioria dos modos de falha, na verdade, é aleatória ou dependente da condição, não da idade. Trocar por tempo, nesses casos, é apostar às cegas.
Prefira preditiva quando:
- O modo de falha dá sinais detectáveis de degradação com antecedência (existe uma curva P-F com intervalo útil para agir).
- O ativo é de alta criticidade (classe A na curva ABC): parar significa perda de produção, risco à segurança ou dano ambiental.
- O custo da falha ou da parada é muito maior que o custo do monitoramento.
- A troca preventiva seria desperdício — o componente ainda tem vida remanescente.
No SIGMA, a preditiva parte de itens de verificação com unidade de medida e valores mínimo, padrão e máximo aceitáveis. A cada conclusão de OS — com lançamento de horas e data — o sistema reprograma automaticamente e abre a tela para registrar os valores medidos. Se a medição sair da faixa (abaixo do mínimo ou acima do máximo), você pode gerar uma OS corretiva na hora. O Gráfico de Preditiva (Tendência) transforma essas leituras em uma curva que revela para onde o ativo está caminhando.
O critério de decisão, ativo a ativo
A pergunta não é "preventiva ou preditiva?", e sim "qual estratégia para este modo de falha, neste ativo?". Um roteiro prático:
- Classifique a criticidade (ABC por risco). Ativos C raramente justificam preditiva.
- Identifique o modo de falha dominante. Ele é dependente do tempo ou aleatório?
- Verifique a detectabilidade. Existe um parâmetro mensurável que avisa antes da falha? Se sim, há espaço para CBM.
- Compare custos. Custo de monitorar × custo de trocar por tempo × custo de falhar.
- Combine estratégias. Um mesmo ativo pode ter preventiva para o filtro (barato, por tempo) e preditiva para o mancal (crítico, monitorável).
Vale lembrar que preventiva e preditiva não esgotam o leque. A corretiva planejada é legítima para itens baratos e sem risco (deixar falhar e reparar). A detectiva testa falhas ocultas — intertravamentos e sistemas de segurança que não dão sinais no dia a dia. E a proativa vai além do sintoma, atacando a causa-raiz para que a falha não retorne.
Fechando o ciclo com o SIGMA
O grande erro é tratar a estratégia como estática. À medida que o histórico de falhas cresce, o que era preventivo pode se mostrar caro demais, e a curva de tendência pode antecipar quebras que nenhum calendário previa. O SIGMA CMMS suporta as duas lógicas de forma integrada: gera preventivas por tempo e por disparo automaticamente, controla a preditiva por condição com faixas e gráficos de tendência, e conecta desvios diretamente à abertura de OS corretiva. Com o apoio do Oráculo PCM, você cruza criticidade, modo de falha e histórico para decidir — ativo a ativo — se o momento certo de agir nasce do relógio ou da evidência, garantindo que cada HH investido em manutenção esteja onde realmente reduz risco.
flowchart TD
A[Objetivo evitar a falha funcional] --> B{Falha depende do tempo ou uso}
B -->|Sim| C[Estrategia Preventiva]
B -->|Nao| D[Estrategia Preditiva]
C --> E[Vida util conhecida ou exigencia legal]
C --> F[Item barato troca programada]
D --> G[Falha com sinais detectaveis de degradacao]
D --> H[Monitorar variaveis e intervir na evidencia]